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NEGROS

Como no Brasil existe racismo, isso significa dizer que a população negra está excluída de uma série de possibilidades de mobilidade social, a qual dá condições para que o exercício de cidadania plena. No Brasil, a pobreza e dificuldade de acesso ao estudo e aos serviços de saúde atingem a população negra. Há 500 anos que se luta para a divisão das riquezas da nação. Então se o Brasil é um país racista - isso foi assumido internacionalmente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - o racismo é um fator de produção de vulnerabilidade das pessoas e das comunidades na epidemia HIV/AIDS.

Por outro lado, é importante destacar o sexismo existente neste país. Vale dizer que nas relações de gênero, as mulheres ainda estão fragilizadas porque vivem uma situação de desigualdade e inferiorização. A conjugação do racismo com o sexismo produz uma situação muito difícil para as mulheres negras, as quais são inferiorizadas desde o primeiro momento que foram trazidas para cá, escravizadas e consideradas menos que humanas.

Quando se fala em imagem da mulher negra, nunca se pensa em alguém que se pareça conosco e isso não ocorre só na televisão. Está no imaginário coletivo a associação de mulher com uma pessoa nórdica. Esse quadro exemplifica a vulnerabilidade da mulher negra na epidemia HIV/AIDS.

Outra consideração da cooperação entre racismo e sexismo é quadro inverso de privilégio produzido: os homens estão numa posição privilegiada. Esse privilégio também se dá em relação ao homem negro. Essa condição significa que desde o início do século XX cabem a eles certos níveis de voz ativa nas relações interpessoais com poder decisório que se aplica também no uso ou não da camisinha. Mesmo com a criação do preservativo feminino, a camisinha masculina é mais disponibilizada nos postos de saúde e venda. Isso retira das mulheres, muitas vezes, a possibilidade de dizer: "não, eu não quero com você sem camisinha". Se o racismo é poderoso, ele vai colocar sobre as mulheres esse preconceito, essas idéias de que somos menores e que não temos condições de dizer em nossas relações quais os nossos desejos.

O Programa Nacional de Combate à AIDS no Brasil é um dos melhores do mundo porque é fruto de uma discussão entre a sociedade civil, que trouxe suas demandas e possibilitou que se chegasse a esse patamar de qualidade. Essa mobilização de entidades mostrou sua capacidade e colaborou para que se constituísse um programa que seria difícil somente o governo construir. Talvez isso explique a vigência do racismo - patologia que o governo se recusa a discutir e considerar como fator de vulnerabilidade no país. Por isso, as ONGs AIDS têm dificuldade de colocar o racismo como pauta principal das questões quando se fala em prevenção da epidemia de HV/AIDS. Desde a década de 80, quem tem trazido o racismo para a pauta de prevenção HIV/AIDS tem sido basicamente a população negra e organizações de negros como Criola, Geledés, Fala Preta! E ACMUN, chamadas ONGs AIDS. No entanto, sabemos a extensão de trabalho de cada uma de nossas organizações e que não podemos cobrir toda a população negra. Por outro lado, sabemos que é obrigação da política pública fazer isso e que o racismo tem sido uma barreira para atender nossas necessidades. Então a gente entende, ainda que sejam preconceito e discriminação, que o racismo é tratado com o destaque merecido porque, ao final das contas, ele determina a vulnerabilidade discriminatória da epidemia. Esse é um problema cada vez mais nosso, das mulheres negras.

Conforme dados do IPEA de 2000/2001, preparados por Ricardo Henriques, a população que tem baixo nível de escolaridade no Brasil é a população negra. Todo mundo que trabalha com o povo negro e mulheres negras sabe que as conseqências dessas condições alijam a auto-estima quem dirá dos infectados com a doença. A AIDS não tem cura e a gente não pode se iludir. Lidamos com uma população que se sente, por vezes, desanimada em tratar com problemas insolúveis. Vemos as pessoas morrendo de hipertensão arterial sistêmica, diabetes, tuberculose, entre outras complicações. Essa população está cansada dos programas governamentais há décadas e não encontrarem solução. É preciso considerar que isso não tem saída, mas que nem isso nos fará desistir da luta. Uma primeira profilaxia, no caso da vulnerabilidade da população negra e das mulheres negras, é continuar lutando contra o racismo no Brasil porque é esse no fim ao cabo que está exatamente naquele muro determinando quem vai ou não poder viver.

O fato de o Brasil ter o melhor do programa do mundo se refere ao acesso gratuito às medicações que permitem que os infectados vivam com o vírus HIV. Entretanto, faltam aspirinas e outros remédios que podem comprometer a saúde dessas pessoas. Por isso, temos que lutar para colocar a AIDS na pauta política. A luta contra o racismo é a terapia anti-retroviral que a gente mais precisa nesse momento. Precisamos garantir que nossa população tenha garantia de chegar num posto de saúde e conseguir tratamento sem ter que entrar na justiça.

No meio desse caos vemos crescer o número de jovens infectadas com HIV/AIDS. Há 20 anos que falamos "Use camisinha" e nossas garotinhas estão mais vulneráveis. Precisamos descobrir uma forma de falar com elas. Outro dia, li uma reportagem com Mano Brownm, do Racionais MCs, em que dizia que seu estilo é ser rústico e não bruto. Na matéria eram discutidos assuntos como racismo, violência, vida na favela. O cara que denuncia o racismo e a violência era o mesmo que usava duas palavras para se referir às mulheres: mãe e puta. É nesse contexto que nossas meninas estão vulneráveis porque escutam os Racionais.

Não tenho solução para reverter esses quadros. Mas vou contar uma história de Oxum registrada no livro "Os caminhos do Oxum", por Agenor Miranda. Conta a lenda que Oxum era uma jovem bastante trabalhadora. Ela trabalhava muito, muito mesmo na cidade em que vivia e nunca conseguia melhorar de vida. Até que resolve consultar os orixás para ver o que estava acontecendo. O adivinho faz o jogo e aconselha Oxum para preparar uma oferenda e entregar no palácio do rei. Ele diz deve fazer todos seus pedidos para melhorar de vida durante a entrega. Mandou colocar as coisas num balão, fazer seus pedidos e ofertar ao rei. Chegando ao palácio, Oxum começa a dizer: "Mas que rei maldito. Que rei terrível. Sou uma mulher que trabalha muito, me esforço e não consigo melhorar de vida. Esse rei é injusto porque tem tudo só pra ele. Olha o palácio dele". Oxum continua rogando pragas para o rei enquanto entrega a oferenda. O povo começa a se juntar em volta dela. O rei pergunta o que estava acontecendo e o que poderia fazer para que Oxum ficasse quieta. Um conselheiro diz para o rei presentear Oxum para que se calasse. Então o rei lhe dá um agrado. Oxum agradece e diz merecer o presente porque trabalha bastante. Mesmo assim não pára de falar e praguejar. E o rei dá mais um presente. E ela continua recebendo e inconformada. O final da história é que Oxum é dona de todo ouro e de toda a riqueza. Por que conto essa história? Porque disseram para Oxum pedir e ela fez o contrário. Ela exigiu o que lhe era de direito e ganhou tudo que merecia. Essa é uma história que vem de tradição e mostra a responsabilidade de cada uma de nós.


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